terça-feira, 11 de maio de 2010

onde, aonde; no qual, na qual




















Sempre fui muito atento ao bom uso da língua portuguesa. Não sei bem a que se deve isso. Talvez seja algo da minha natureza mesmo, mas certamente há a influência dos bons professores que tive, especialmente a do Professor Carlos Alberto Suniga dos Santos, durante a saudosa época da Fundação Bradesco. O mais bacana é que hoje eu e o Carlos somos professores colegas lá na Unesc. Não me considero um especialista, mas sou muito cuidadoso de modo a procurar sempre falar e escrever da maneira mais correta - pelo menos como orienta a tal 'norma culta' (se é que se pode dizer isso, já que o importante é transmitir a informação. Não pode também virar paranóia, agora sem acento, mas não consigo deixar de colocá-lo). Pois bem. Quero rapidamente falar sobre duas coisinhas. É o uso do onde, aonde, no qual e na qual.
O pronome relativo onde só deve ser usado para indicar lugar. Devo dizer: Onde você mora? Os lugares onde estive nas férias são belíssimos! A briga aconteceu lá no campo de futebol, onde jogamos ontem. Veja que sempre o pronome se refere a lugar. Já o uso do aonde também deve ser empregado para indicar lugar, mas o verbo sempre exigirá a preposição a, numa idéia de movimento. Veja os exemplos: Aonde você vai? Chegamos aonde pretendíamos desde o início da viagem. Estava perdido. Aí retornei aonde eu estava, a fim de achar a saída. Vê-se que sempre o verbo indica movimento. Quando a referência for a algo que não seja lugar, não é correto usar o onde e o aonde. Se eu me refiro a uma situação, a um filme, a uma decisão judicial, a um dia, jamais posso empregar o onde ou aonde, uma vez que esses substantivos não são lugares. É muito comum, porém, a gente ouvir: Aquele filme onde o Tom Cruise contracena com a Demi Moore. Você viu a decisão aonde o juiz mandou prender o ex-deputado? Foi uma situação onde a diversão tomou conta. O mais grave é usar nesses exemplos o aonde, porque neles os verbos não indicam movimento. Assim, é adequado para os casos mencionados acima a utilização do pronome relativo que acompanhado da preposição em (em que ou no (a) qual). A situação na qual me vi foi constrangedora; O filme no qual ele fez papel de vilão; O dia no qual me diverti muito. A situação na qual todos fizeram muita algazarra. Enfim, é importante estar atento a que se refere o pronome, bem como aos verbos, porque podem ocorrer variações como de onde, para onde, do qual, das quais, aos quais etc. É isso.

18 comentários:

Loany Costa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

OAOAOAAOAOAOAOOAOAOAAOAO

Anônimo disse...

Muito sucinto! Adorei!!
Os exemplos ajudaram muito!

Obrigada!

Elias Botafoguense disse...

Sensacional esse assunto relacionado ao uso correto dos pronomes relativos, estou curtindo e absorvendo bastante. Belíssima iniciativa. Parabéns!

Getulio Gonçalves disse...

Muito bacana, me ajudou muito...!!
Obrigado!

Alessandra Melo disse...

Me lembro que desde a época da faculdade você já era assim, sempre preocupado com a conjugação verbal, uso dos pronomes... tem coisas que nunca mudam, ainda bem.
Um abraço.

Francieli disse...

Fabrício...Na linha 4 vc escreve: O mais bacana é que hoje eu e o Carlos somos professores colegas lá na Unesc. O correto não seria: Carlos e eu (...) ?

Bruno G. Dias disse...

Resposta a Francieli: Olá Francieli! Sobre sua interpelação acima, segue a resposta: Não existe certo ou errado. O que temos é um acordo de educação (como aquela de deixar os mais velhos entrarem primeiro). São regras de urbanidade, não regras de gramática. Seguimos se quisermos ser polidos.

nmassessoriacultural@gmail.com disse...

Obrigada. Sua explicação foi clara e pertinente.

Anônimo disse...

nossa... mto boa a explicação, simples e educativo, amei <3

Carina disse...

Não poderia deixar de comentar que a leitura foi realmente esclarecedora!!!!

Tem mais por aí?

Edson disse...

Bravo!

Anônimo disse...

Muito Gato!

Anônimo disse...

Professor essa explicação foi ótima muito obrigada

Matheus Mendes disse...

Foi uma explicação muito prática e breve. Muitos professores não recorrem a isso e, portanto, acabam prolongando um assunto que poderia ser explicado em algumas linhas. No entanto, acho que muitos deles fazem isso para dificultar, e delongar muito o assunto. Aqui, no caso, foi diferente, pois você soube abordar o assunto em questão sem tanta complexidade. Por isso, dou-lhe os parabéns por explicar tão bem e de forma sucinta, porque eu também tenho esse preciosismo quanto à língua portuguesa.

elaine biazzus disse...

Muito bom. Obrigada.

Charles disse...

E por que não usar o qual??

abs

Anônimo disse...


Fabrício! Meu nome é Plauto (Pé Chato, das raízes greco-latinas).

Talvez, pela "chatice", eu também tenha certo TOC com a Língua Portuguesa; apesar de não ter qualquer pretensão formal ou técnica.

Procuro condicionar meus filhos, sem martírio, à busca da colocação ortográfica e gramatical correta para cada caso; a despeito da "Cyber Comunicação" estar, como o Estado Islâmico, destruindo a essência de nosso belo Idioma...

Com a saída do uso do trema, ao qual já estava razoavelmente adaptado, tenho encontrado conflito na fonética adequada da palavra: QUESTÃO. Em Curitiba-PR, não é comum o u ser pronunciado.

Antes da Reforma (para Trema), alguns Pesquisadores Léxicos também se dicotomizavam em seus Dicionários...

Qual sua opinião?

Obrigado!

Plauto.