quarta-feira, 30 de setembro de 2009

RONDÔNIA NÃO É RORAIMA, CARAMBA!

Vimos há poucos dias mais uma gafe envolvendo a confusão entre Rondônia e Roraima, cometida pela Min. Dilma Rousseff, quando, em Boa Vista, disse que era um prazer visitar o estado Rondônia. Essa é só mais uma. São muitas. Isso me irrita demais. Não só a mim, ouço muita gente reclamar. Afinal, é um desrespeito com a Amazônia. Escrevi essa reflexão faz um tempo, mas, diante das constantes confusões, é infelizmente sempre atual.

Até quando? Sou praticamente um filho de Rondônia. Vivo aqui desde os onze meses de idade. Por isso, penso que posso, por meio desse texto, representar todos os que moram e amam a nossa terra. Não tenho nada contra o estado de Roraima, mas será que é tão difícil distinguir esses dois estados brasileiros? A coisa mais freqüente que se vê é a confusão em que os competentes jornalistas se metem quando a notícia é Rondônia ou Roraima. Desse modo, diante dessa dificuldade quase insuperável pela grande mídia, proponho-me a tentar ajudar. Aliás, trata-se de um tema realmente muito difícil, comparável aos cálculos mais complexos da física, química e matemática. Vejam, então, brilhantes comunicadores brasileiros!
Apesar de serem estados localizados na região Norte, de terem sido Territórios Federais, e de o nome ter início com a sílaba RO, ficam por aqui as suas semelhanças. Roraima, cuja sigla é RR, repito, RR, reitero, RR, fica no extremo norte da região Norte. Localiza-se, no mapa do Brasil, em cima do estado do Amazonas (AM) – não é o Amapá (AP), tá legal? Rondônia, cuja sigla é RO, situa-se, no mapa brasileiro, no sul da região Amazônica, ali pertinho do Acre (AC) e de Mato Grosso (MT). Ah, meu Deus, será que peguei pesado agora!? Não sei se já lhes informei qual é a sigla de Roraima. De qualquer modo, para garantir, é RR. Sua capital é Boa Vista, não é Porto Velho. A população de Roraima (RR) é de aproximadamente quatrocentos mil habitantes, ao passo que a de Rondônia (RO) é em torno de um milhão e seiscentos. O Produto Interno Bruto (PIB) de Rondônia é, no mínimo, três vezes maior do que o de Roraima (RR). Será que pude ajudar?
Dentre tantas, seguem algumas gafes cometidas pelos importantes jornalistas. O Governador de Rondônia foi cassado! (Era o de Roraima, Flamarion Portela). Faleceu o ex-governador de Rondônia Ottomar Pinto! (Na verdade, ele foi governador de Roraima). Senador de Roraima foi cassado! (Tratava-se de cassação de Ernandes Amorim, de Rondônia). A equipe de Ji-Paraná, de Roraima, disputa a Copa do Brasil. (Queria saber onde fica essa cidade em Roraima). A ULBRA de Roraima elimina o Santa Cruz da Copa do Brasil! (Este time é de Rondônia, da cidade de Ji-Paraná). São tantos os erros que é inevitável a pergunta. É possível confiar nas notícias dessas emissoras de TV? Os vacilos são tão comuns e grosseiros que isso já virou motivo de brincadeira aqui em Roraima, ah!, foi mal, Rondônia. Não sei como é lá em Roraima a reação das pessoas, por exemplo, de Porto Velho. Ih! desculpe, Boa Vista.
A ignorância de muitos jornalistas significa desrespeito com as pessoas que moram aqui em Rondônia (RO) e lá em Roraima (RR). Afinal, todo mundo quer ter a sua identidade regional respeitada! E depois querem que os brasileiros defendam a Amazônia. Nem sabem onde ela fica.

Por Fabrício Fernandes Andrade, um rondoniense de Rondônia (RO).

13 comentários:

Fabiana disse...

Sem interesse no pontinho Professor rsrs que, aliás,... será em outro texto rs
"Rondônia não é Roraima" ... palavras que infelizmente já nos soam familiares..
O texto merece ser comentado, pois trata-se de uma total desrespeito ao povo brasileiro, especialmente nós de Rondônia e nossos compatriotas de Roraima, as gafes tamanhas cometidas pelas autoridades e jornalistas de renome!

Tallini disse...

Isso ae Fabiana. Pegando embalo no seu comentario, faço o meu.
Professor, partilho da mesma opinião.
Morei no Acre por anos, e por lá a coisa não é diferente.
Como dizia o popular " uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa". Rondônia é Rondônia, e Roraima e Roraima.
Não são raros os equívocos de pessoas (leia-se comunicadores e políticos desinformados, desatentos, e arrisco até a dizer, descompromissados com a sua função) neste sentido. Os estados do Norte geralmente são os privilegiados com essas honras (seria comico, se de tantas repetições, já nao estivesse cansativo).
A excelentíssima ministra poderia, ao menos, perguntar, que fosse minutos antes da sua chegada, a um acessor, acompanhante, ao piloto, comissária de bordo, enfim, pra onde mesmo ela estava indo. Era o mínimo. Será que sabia o motivo da visita? Ou sobre o que falaria? A resposta a essas perguntas pode ser surpreendente, visto que não sabia nem que pessoas cumprimentava e nem qual chão estava pisando.
Onde estão os livros de geografia, e os mapas do Brasil?!!

Fabrício disse...

Que legal, meninas, a participação de vocês. É isso mesmo, esse sentimento de indignação deve ser sempre exteriorizado, explorando-se a ironia, de modo a provocá-los sutilmente, com muita sabedoria. Obrigado.

William R Grilli Gama disse...

Está com moral, hein Fabrício?
Seu blog ganha em beleza e prestígio com o comentário das meninas...

Afora isso, é no mínimo lamentável o total descaso que se tem com os Estados da Região Norte. Descaso esse que se repete em outros Estados que julgam menores, como é o caso do Mato Grosso "do Norte".

Não me ofendo quando há brincadeiras como a que fez Chico Anysio certa vez, ao dizer que seu programa passava nos Estados Unidos, no Brasil e até em Rondônia... isso só retrata o que se vê: uma terra que na verdade nao existe.

Ou não somos todos vítimas da curiosidade quando em grandes centros nos revelamos rondonienses?

Mas a ministra, que quer ser presidente, nao se pode permitir dito escorregão...

A imprensa que se quer formadora de opinião, precisa ponderar... e o povo, se dignar a aprender...

No mais, e a bem da verdade, a custa de que a classe política se preocuparia com um colégio eleitoral menor que o da cidade de Campinas em São Paulo?

Insisto que enquanto nao adotarmos um sistema de eleição semelhante ao americano, que obriga a valorização de todos os entes federados, momento em que, dúvido, qualquer político confundiria os dois Estados...

Já a imprensa...

Laurindo Fernandes disse...

Eu já ví até no Jornal Nacional, o Bonner, que é um dos apresentadores de mais renome, confundir essas siglas. De repente, se mudássemos a de Roraima para RA, ou Rondônia para RD? Sim, resolveria... se na similaridade das siglas residisse o problema, mas não é aí o cerne da questão. Como bem foi dito no post, Rondônia e Roraima juntas, tem uma população de dois milhões de habitantes. É menos eleitores - para os políticos somos apenas títulos esverdeados - que muitas cidades do banda de lá da linha de tordesilhas, pois não somos dois milhões de eleitores. Então somos desprezados pela nossa parca quantidade - menos de 1% da população nacional. Soma-se a isso o consenso generalizado de que os estados que compõe a Região Norte são terra de índios e aventureiros, é o lugar pra onde se vem quando não se tem mais nenhuma opção. Vêem a nossa região com os mesmos olhos de quem a via nas décadas de 60 e 70. Os estados mudaram, progrediram, mas a imagem que ficou foi de que aqui é terra de ninguém. Tanto é que até algum tempo atrás, vilão de novela da Globo que se prezasse, fugia para Rondônia. Infelizmente, se esse desprezo se observa até em muitos dos filhos desta terra, que menosprezam o estado onde nasceram e vivem, imagina em quem por aqui passa de quatro em quatro anos para auferir votos. Mas quem sabe com esses episódios não nos dispomos a aprender e colocamos lá gente da gente, e digamos um uníssono e estridente não a essa espécie de político que não se importa tanto quanto deveria com a nossa querida e estigmatizada região norte.

PS: Me lembrei daquele filme infantil "Madagascar" onde, ao ter seus instintos ferinos despertados pela falta de comida, o leãozinho não vê mais aos outros animais como são, mas sim como suculentas bistecas. Assim é a gana do político em época de eleição: não nos vê como pessoas, sujeitos de direito, dignos de respeito, mas antes sim como apenas um "suculento" voto. Aliás, muitos deles quando no palanque, é a única vez que olham para nós, o povo. Uma vez eleitos, exercem seus mandatos de costas para nós, olhando para o próprio umbigo. Sim, senhores, existem exceções, mas como são raras.

Anacleto De Marco disse...

É professor, a Rondônia é nossa, Amazônia e nossa e podemos agora dizer que as Olimpíadas tbm...viva o Brasil que faz história no esporte!!!

Anônimo disse...

Ronaldo. Brilha muito no Corinthians...

Thonny Hawany disse...

Bom dia professor Fabrício, passei por aqui para ler as idéias de sua melhor lavra. Ao ler os textos, pude tirar deles excelentes lições. Saiba que serei um leitor permanente de suas postagens. Em especial, li o texto Rondônia não é Roraima. Creio que a proximidade dos nomes aliada ao descuido das pessoas são os elementos preponderantes para tal confusão. Mas se continuarmos trabalhando a idéia, quem sabe um dia não se acostumam com os dois estados e suas peculiaridades ao ponto de não mais confundirem Rondônia com Roraima, ambos estados brasileiros que merecem respeito. Abraçuuuu

Anônimo disse...

Tenho uma opinião bastante diferente: Rondônia não é Roraima, todos deveriam saber disso. Brasil não é Argentina, todos deveriam saber disso. Rio de Janeiro não é a capital do Brasil todos deveriam saber disso. Esse o pensamento comum do brasileiro. Pois bem: quantos brasileiros (inclusive esses, que se irritam com essas "ignorâncias") saberiam identificar, num mapa, Israel, Iraque, Irã, Cuba, Haiti, Honduras (esses dois últimos TODOS os brasileiros deveriam saber, não?). E já que estamos falando da ignorância alheia (pelo menos daquela que TODOS deveriam se envergonhar): os colegas saberiam responder (sem pesquisar no Google, por favor) quais os nomes dos chefes de Estado de todos os países que integram o Mercosul (afinal, eles "merecem respeito", assim como Roraima. Ou Rondônia). Poderia escrever muito mais sobre o assunto, mas vou aguardar os comentários. Abraço a todos. Em tempo: sou paulista, sim.

Anônimo disse...

POis é Antônio realmente é importante o conhecimento em geografia mundial, mas é imperdoável que não se conhece se quer as regiões e os estados do país. Quanto a confusão Rondonia é Roraima, não se limitam entre os estados mas também entre regioes. Portanto: NORTE NÃO É NORDESTE!

Anônimo disse...

Parabéns, Doutor e professor Fabrício esses fatos são realmente lastimável que um país que já é quinta ou sexta economia do mundo seja ANALFABETOS GEOGRÁFICOS, isso é reflexo de uma educação que está capengado com métodos arcaicos e que os investimentos em infraestrutura e formação profissional são apenas promessas de palanques eleitoreiros.....como professor de GEOGRAFIA, esses erros são inaceitáveis e até mesmo repugnates.....

Ivan disse...

isso é uma porcaria.

Moro no PR há 6 anos é o tanto de gente que confunde enche o saco!

Anônimo disse...

Afinal Rondônia é capital de Roraima ou não é? Essa parte não ficou clara. Ahahahaha.