quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A SUCESSÃO DE INSTANTES NOS LEVA À ESCATOLOGIA

Escrevi esse texto faz um tempão. A exemplo do que tem feito meu amigo William Gama, compartilho hoje com vocês uma mensagem mais poética e reflexiva sobre a vida. Não tenho o mesmo talento do Grilli Gama, mas espero que gostem (risos). Ele, aliás, que me cobrou ontem a atualização do blog. Aí vai então.


Tenho pensado muito na passagem do tempo, é muito rápido, o instante é algo impressionante. Vivo porque o instante existe. Quantos instantes já se passaram. A sucessão de instantes nos leva à morte. Pode-se dizer à escatologia, palavra, aliás, que aprendi hoje, quando li o Evangelho. Significa os últimos acontecimentos, o fim.
Muitas gerações vieram e já se foram. Estamos vivendo nessa vida aqui, mas tudo passará e, muitas vezes, não atentamos para isso.
O ser humano precisa aprender a valorizar cada segundo, cada instante, cada suspiro, o pulsar do coração, as consideradas pequenas coisas, que, na verdade, são as maiores, que são os sentimentos bons pelos próximos, além, é claro, de apreciar as belezas do amanhecer, do céu, da natureza, o que, quase nunca, paramos para contemplar. Deve-se ter a convicção de que existe, sim, a vida eterna. Senão, não haveria razão para vivermos aqui. É preciso ver as coisas de outro modo, com mais amor, respeito e compreensão das diferenças. Nós fazemos algo hoje e, depois, quando nos lembramos dela, já se passou muito tempo.
Trata-se da sucessão dos instantes, que nos conduz aos últimos dias. Se dez anos passam que nem vemos, isso quer dizer que vamos perder essa vida terrena sem também ao menos nos dar conta. As pessoas se esquecem de que iremos perder pai, mãe, e todos os entes queridos. Esse é o ciclo da vida. É triste dizer isso, mas é o que vai acontecer com todos nós. Por esta razão, devemos viver cada instante como se fosse o último de nossas efêmeras vidas. Não podemos eternizar o instante. É essa fração inexorável de segundo que, repito, nos levará aos últimos dias, exatamente aqueles que seus avós estão vivendo hoje e que você viverá amanhã. E não demorará a chegar. Precisamos nos preparar. É preciso saber viver – parafraseando o grande Roberto Carlos.
Em breve, estaremos velhinhos, fase em que a experiência e a nostalgia tomarão conta de nós. Período não menos importante que a infância - da ingenuidade - e a fase adulta - da euforia e ansiedade.
Ficamos numa busca infinita de algo que nem nós mesmos sabemos o que é. O importante mesmo é ter aproveitado bem o seu dia, o instante que já passou. Você já parou hoje para ver o sol, o céu, as árvores? Pode ser que amanhã você não esteja mais aqui.
Esta reflexão é apenas para ficarmos alertas quanto à fugacidade da vida, a fim de que tomemos consciência da importância de viver bem aqui e das conseqüências terríveis da má-conduta, da má-fé, do desrespeito, da ausência de amor, da corrupção, e tantos outros maus comportamentos praticados por muitos.

8 comentários:

William R Grilli Gama disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
William R Grilli Gama disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
William R Grilli Gama disse...

"As pessoas se esquecem de que iremos perder pai, mãe, e todos os entes queridos. Esse é o ciclo da vida. É triste dizer isso, mas é o que vai acontecer com todos nós."

Permita-me dizer que descordo totalmente de que não possui talento. Há tempos que não me lembro de ter escrito algo tão recheado de sentimentos.

Esse texto não é mera conjectura eivada de tecnicismo, mas é sim, a tradução de um sentimento cheio de pureza de quem faz do inevitável da vida, o caminho de seus dias... A vida passa rápido e enquanto passa leva da gente o que mais gostamos... quem mais gostamos.

Não é sempre que me emociono com o que leio e me sinto tocado e acuso que admiro... mas agora foi.

Daquilo que você vem postando aqui... esse é o texto que mais parece você.

Nada como transcrever as emoções...

As homenagens não são tuas para mim, mas são todas minhas para você...

Fantástico! O texto foi, simplesmente, fantástico!

William R Grilli Gama disse...

Descordo* é no mínimo péssimo, como péssimo seria se eu tivesse escrito Des-concordo como pretendia...

Evidentemente que, no que tange a mim, eu DISCORDO totalmente de você.

Abraços

Laurindo Fernandes disse...

O tempo tem como sua qualidade o seu maior defeito: ele passa. A volatilidade do tempo é uma constante da qual não podemos nos safar. Mas como uma característica pode ser boa e má? Não é uma a ausência da outra? Sim, é, e me arrisco nessa afirmação de que bom que o tempo passa! E quão ruim é esse mesmo passar. Tudo depende do momento em que se vive: momentos felizes? Ah, se nos fosse permitido parar em algum instante atemporal, que se prolongasse pela eternidade...mas, em momentos de dor e angústia, quando a tristeza nos toma de assalto e nos abate ante as agruras da vida, ah, tempo que não passa! e almejamos ansiosos o escoar das horas, que teimam em se arrastar lentamente enquanto nos contorcemos de dores, sejam elas do corpo ou da alma - ou de ambos. Lentidão essa inversamente proporcional a velocidade em que esses mesmos segundos expiram nos momentos agradáveis. Eis aí o porque reafirmo que tem a existência no seu defeito a sua maior virtude: a efemeridade.

Outra idéia que me ocorreu agora, acerca da maneira como contamos o tempo. Sempre dizemos que temos tantos anos de idade, contando cada aniversário como mais um ano de vida. Na verdade, não temos nada além desse segundo que nos escorre por entre os dedos. E sempre que fazemos aniversário, completamos "menos" um ano de vida, pois dos anos que teríamos nessa esfera, foi-se menos um. Cada dia que vivemos, cada hora, cada minuto, é uma fração de tempo a menos, não a mais. A contagem é regressiva, e o cronômetro começa a correr assim que nascemos.

Thonny Hawany disse...

Aí está um bom motivo para se viver os instantes da melhor maneira possível. Li o texto e pude refletir sobre ele com tranquilidade, visto que comungo do mesmo ponto de vista. Parabéns pelo texto, pela mensagem, pela linguagem, pela oportunidade de ler um texto maduro. Volto no próximo texto. Valeu prof. Fabrício

Fabrício disse...

Amigos, obrigado demais pelas visitas e referências. Espero contar sempre com vocês por aqui. Grande abraço.

Jéssica disse...

Não deixe nada pra depois
Não deixe o tempo passar
Não deixe nada
Pra semana que vem
Porque semana que vem
Pode nem chegar...

Esse pode ser o último dia
De nossas vidas
Última chance de fazer
Tudo ter valido a pena

Diga sempre tudo
O que precisa dizer
Arrisque mais
Pra não se arrepender
Nós não temos
Todo tempo do mundo
E esse mundo
Já faz muito tempo...

O futuro, o presente
O presente já passou...

(Pitty - Semana que Vem)

Isso me faz pensar o quanto somos vuneráveis. Suscetíveis aos males e aos benfícios da vida aqui na Terra. E como diria Renato Russo, é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se vc parar pra pensar na verdade não há...

É isso aê, fessô, bão, bão, bão di mais da conta. Parabéns!